
A NOSSA AUTENTICIDADE E PENSAMENTO CRÍTICO EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Hoje em dia, fala-se muito sobre as capacidades da inteligência artificial (IA) e o impacto que esta pode ter nas nossas vidas. Estamos numa fase de "hype", em que surgem constantemente novas aplicações de IA prometendo transformações extraordinárias.
O meu email está literalmente cheio de promessas de formações e cursos relacionados com IA. No entanto, é essencial termos pensamento crítico para distinguir o que é verdadeiramente útil do que é apenas marketing.
A imagem distorcida pela IA
Um exemplo que me inquieta são as aplicações de IA que criam versões irreais de nós próprios, combinando o nosso rosto com corpos ideais segundo os padrões impostos pela sociedade. Ao aceitar estas imagens, estamos, muitas vezes, a aceitar também esses enviesamentos (bias).
A nossa imagem deve refletir quem somos, não uma fantasia moldada por expectativas sociais. Claro, é interessante experimentar avatars ou estilos artísticos criados por IA, mas usar a nossa cara para construir um corpo "ideal" é um caminho perigoso. Não podemos permitir que a IA desvirtue a nossa essência.
O desafio de manter a nossa voz
A IA também está a ser amplamente usada na criação de textos. É verdade que consegue gerar conteúdos coerentes e, por vezes, impressionantes. Mas será que esses textos refletem o nosso tom de voz? Muitas vezes, não. Eles baseiam-se em padrões preditivos. Se não estivermos atentos, corremos o risco de perder a nossa autenticidade.
A IA deve ser uma ferramenta para apoiar a nossa comunicação, não para nos substituir. É crucial que continuemos a criar conteúdos que carreguem a nossa personalidade, as nossas ideias e a nossa visão única.
Limites no uso da IA e a importância do pensamento crítico
Apesar da crescente aceitação de conteúdos parcialmente criados por IA, como no caso dos direitos de autor (copyright), precisamos de estabelecer limites. A IA pode melhorar a produtividade, mas não deve ultrapassar a nossa capacidade de pensar criticamente. Somos nós que devemos manter o controlo sobre o que criamos, garantindo que as nossas ações e ideias continuam a ser autênticas.
Este pensamento crítico é particularmente relevante quando consideramos o impacto das redes sociais. Muitos utilizadores tomam os conteúdos que consomem como verdades absolutas, sem questionamento. Num mundo dominado por influências digitais e algoritmos, o risco de futuras gerações acreditarem cegamente no que a IA ou as redes sociais mostram é real.
O desafio das regulações na Europa
Outro aspeto que merece reflexão são as barreiras que enfrentamos na Europa devido às regulamentações, como o RGPD e o EU AI Act. Estas leis, apesar de necessárias para a proteção de dados e privacidade, muitas vezes limitam o acesso a ferramentas de IA inovadoras, como o Sora ou a Apple Inteligente,deixando-nos em desvantagem face a outros mercados. (pelo menos do ponto de vista laboral)
Ainda assim, a IA é uma realidade inevitável.
Quem não souber utilizá-la ficará para trás, tal como acontece hoje com quem não sabe usar o Google ou um smartphone.
A minha experiência com a IA
Comecei por criar um bot para os recursos humanos da minha empresa, Springevents, especializada em apoio a eventos com equipas de hospedeiras/os. O objetivo era que o bot esclarecesse candidatos sobre questões como recrutamento, pagamentos e fardas. Usei inicialmente um serviço simples, baseado em FAQs, mas as respostas eram insatisfatórias, o que fazia com que se eu tivesse disponibilizado esse bot, o mais provável era os utilizadores perderem o interesse rapidamente.
Percebi que precisava de mais controlo sobre os dados e as respostas geradas. Experimentei uma aplicação mais avançada, mas com limitações em total de bots e ficheiros, além de custar mais de duzentos euros/mês. Também não foi o ideal e acabei por desistir ao fim de dois meses.
Decidi então procurar outra solução e acabei por encontra-la numa plataforma no-code, que me deu controlo total sobre o comportamento do bot. Este sistema, em constante evolução, levou-me a adaptar os dados várias vezes, até à versão atual, que já não segue o formato de perguntas e respostas. (Perguntas frequentes).
Foram mais de 18 meses de trabalho, mas o processo foi muito enriquecedor. Claro que alguém técnico teria feito isto em horas, mas acredito que, para liderar bem, é essencial entender minimamente o que se está a pedir. Isso permite-nos tomar melhores decisões enquanto lideres e gestores sobre quando e como usar a IA, lembrando que esta não é solução para tudo.
CONCLUSÃO
O meu conselho é simples: usem a IA com consciência. Deixem que ela seja uma aliada, mas nunca percam a vossa autenticidade. O pensamento crítico é o que nos distingue e determinará o verdadeiro impacto da tecnologia nas nossas vidas.
Preservem a vossa voz, as vossas ideias e o vosso valor único. A IA pode ser uma excelente ferramenta, mas nunca substituirá a nossa humanidade e pensamento critico, a capacidade de reacção quando num evento algo corre de forma diferente do esperado. Sejam curiosos, explorem.
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NOTA: Este texto foi estruturado com auxilio de IA, mas curioso que quem me conhece irá perceber, que a minha essência está lá. A IA para nos ajudar a estruturar, não para escrever por nós.